Em 19 de agosto de 2025, seis secretários municipais foram exonerados em massa: das áreas de Urbanismo, Meio Ambiente, Turismo, Cultura, Comunicação, Trabalho/Sindical e ainda a Procuradoria-Geral do Município. Oito assessores também foram desligados em conjunto com uma proposta de reforma administrativa que consolida e desmembra secretarias (JB Litoral Facebook). A justificativa oficial é a economia e reestruturação, mas o efeito político imediato é claro: juros elevados à insegurança institucional, à descontinuidade de políticas públicas e à paralisação de entregas nos serviços essenciais.
Quando seis secretários deixam seus postos de uma só vez, não estamos diante de ajustes pontuais — mas sim de gerenciamento em modo de emergência, um sinal preocupante de instabilidade.
Fusão e extinção de pastas: economia ou sobrecarga?
A retomada da gestão trouxe a descontinuação da UGP (Unidade de Gerenciamento de Projetos) e da Secretaria de Gabinete Institucional — transformadas em outras áreas como fiscalizações e habitação — num discurso que destacava uma economia anual estimada em R$ 2 milhões. Mas por trás da retórica de austeridade, surgem problemas latentes:
A fusão de pasta frequentemente sobrecarrega gestores e dilui responsabilidades.
A ampliação de atribuições num único membro da equipe — muitas vezes sem experiência técnica — compromete a eficiência.
A real redução de custo pode ser simbólica ao custo do aumento da burocracia interna e da perda de foco nas entregas.
Transformar cargos de chefia em operações sem clareza de quem faz o quê pode ser uma armadilha à efetividade. E, conforme consta da entrevista, muitas secretarias passaram a englobar áreas diversas como saneamento, transporte, contratos e regularização fundiária, apresentadas como soluções completas, mas que na prática significam chefias multinúcleo com risco de descoordenação.
Rotatividade elevada sinaliza incerteza
Adriano Ramos entrou em 2025 exaltando eficiência e integração entre secretarias em reuniões com o novo secretariado, exigindo rapidez nos primeiros dez dias. Mas ao longo dos meses, a constante rotatividade expõe algo mais grave: falta de planejamento e de escolha coerente de base técnica e política.
Cada troca repentina interrompe processos em curso — sejam obras, licitações, ou programas sociais — impondo:
Atrasos e paralisias administrativas.
Instabilidade entre servidores e fornecedores.
Perda de memórias institucionais.
Esse modelo de gestão por desgaste administrativo é potencialmente corrosivo: cria clima de medo, prejudica coesão interna e compromete entregas à população.
Reestruturação com discurso populista colide com realidade técnica
Apesar dos anúncios de obras estruturantes e eventos bem-sucedidos (como a Festa da Tainha, investimentos em saúde pública e sinalização urbana), a crise interna corroí a credibilidade do discurso otimista. Reformas administrativas podem ser necessárias, mas:
Economizar R$ 2 milhões sem comprometer qualidade exige transição estável — não substituição em massa.
O discurso de inovação e modernização colide com a ausência de continuidade política em pastas estratégicas.
A população tende a ver a reforma como uma manobra de poder em vez de uma reorganização funcional.
O custo político e institucional
Essa escalada de mudanças rápidas e frequentes não é neutra.
Ela instiga reações críticas da Câmara Municipal e da população, que passou a observar um “racha” interno no governo.
Gera oportunidades para rumores de instabilidade e até investigações — como insinuações já presentes nas redes sociais sobre possíveis providências do MPF/PF (ainda não confirmadas, mas indicam um possível desgaste institucional).
Dificulta parcerias externas e compromete captação de recursos se não houver clareza sobre quem está à frente de cada área.
Problemas e impactos reais
Exoneração em massa
Perda de continuidade, desânimo e sobrecarga institucional
Agrupamento de pastas
Confusão de atribuições e fragilidade na gestão técnica
Rotatividade secretarial elevada
Paralisia operacional e baixa confiança interna
Economia simbólica
Risco de retrocesso em políticas públicas essenciais
Ruído político crescente
Clima de insegurança e desgaste da imagem pública
Uma crítica necessária e o que de fato estamos vendo
O que se observa é uma crise administrativa que extrapola meras mudanças de cargo. A gestão Adriano Ramos transformou-se em uma gestão de desconstrução de estruturas, sem oferecer alternativas claras de governança estável. A troca constante de secretários e a junção de pastas — sem critério técnico e responsabilidade gerencial — representa um retrocesso institucional, enfraquecendo a máquina pública e prejudicando o principal destinatário: o cidadão.
A chamada “reforma administrativa” está sendo vista como fachada política, não como transformação eficiente.
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Seme Said é diretor do portal Nosso Paraná
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