Somados os resultados de 2015 e 2016, a economia brasileira recuou 7,2%, pior cenário desde o início da série do IBGE

Diminuição do ritmo de retração da indústria fez queda do PIB ser menor que a de 2015

Diminuição do ritmo de retração da indústria fez queda do PIB ser menor que a de 2015 Arte Folha

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou queda de 3,6% em 2016 ante 2015, informou na manhã desta terça-feira, 7, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No quarto trimestre de 2016, o PIB recuou 0,9% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Na comparação com o quarto trimestre de 2015, o PIB apresentou queda de 2,5% no quarto trimestre de 2016. Ainda segundo o instituto, o PIB do quarto trimestre de 2016 totalizou R$ 1,631 trilhão. Com esse resultado, o PIB de todo o ano passado somou R$ 6,266 trilhões. 

O PIB de 2015, havia caído 3,8%. No acumulados do biênio 2015-2016, são 7,2% de queda. Na série de crescimento econômico do IBGE, iniciada em 1948, foi a primeira vez que houve dois anos seguidos com queda anual, segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. De acordo com Rebeca, com a queda de 7,2%, é possível dizer que a recessão atual é a pior desde 1948. A pesquisadora relutou em afirmar que se trata da pior recessão da história, por causa da falta de dados sobre antes de 1948. 

Ainda conforme os cálculos do IBGE, o PIB encerrou 2016 no mesmo nível do terceiro trimestre de 2010. "É meio como se estivesse anulando 2011, 2012, 2013, 2014, que tinham sido positivos", afirmou Rebeca. Além disso, a queda anual de 6,6% no PIB da agropecuária em 2016 é a maior da série histórica com a atual metodologia, iniciada em 1996. 

A queda de 2,5% no PIB brasileiro no quarto trimestre de 2016 ante o mesmo período do ano anterior foi o 11º trimestre consecutivo de recuo. Apesar da manutenção dos resultados negativos, a perda foi a menos intensa desde o primeiro trimestre de 2015, quando o PIB caiu 1,8%. "A gente continua com taxas negativas, mas taxas menores. A queda veio desacelerando", definiu Rebeca Palis. 

SETORES 

Segundo ela, no ano passado, o PIB da indústria caiu 3,8%. Já o de serviços recuou 2,7%. E o da agropecuária teve declínio de 6,6%. A queda menor do PIB em 2016 do que em 2015 aconteceu por causa de uma melhora no desempenho da indústria. "Em 2015, indústria e serviços caíram. Em 2016, a indústria caiu menos, mas serviços continuaram no mesmo ritmo de queda e agropecuária virou. Então, a melhora de 0,2 ponto porcentual entre 2015 e 2016 se deu basicamente pelo desempenho da indústria", afirmou. 

Em relação ao setor externo, houve contribuição positiva para o crescimento econômico, com 

exportações crescendo e queda das importações. "Apesar de valorização do câmbio desde o segundo semestre, no ano como um todo ainda houve desvalorização de 4,8%, o que ajudou a manter a contribuição positiva do setor externo em 2016", afirmou. Já a partir do último trimestre do ano, houve contribuição negativa. 

Rebeca citou ainda que a deterioração do mercado de trabalho foi a principal causa da piora no 

consumo das famílias, que retraiu 4,2% em 2016 ante 2015. Ela destacou que a massa salarial real caiu em 2016, enquanto em 2015 tinha ficado estável. 

PER CAPITA 

O PIB per capita de 2014 a 2016 caiu 9,1%. E no mesmo período a população cresceu 0,9% ao ano. A queda é "bastante relevante", de acordo com Rebeca. "Nos três últimos anos, como a população continua crescendo, a queda do PIB per capita amplificou. O bolo encolheu e a quantidade de pessoas aumentou. Tem que colocar muita água no feijão", afirmou. 

No ano passado, o PIB per capita caiu 4,4%, enquanto a retração do PIB foi de 3,6%. Em 2015, o PIB per capita havia caído 4,6%, para uma queda do PIB de 3,8%.

LANTERNA 

O Brasil amargou o pior resultado no PIB num ranking de 39 países que já divulgaram seus dados oficiais de atividade econômica, segundo informações compiladas pela Austin Rating. O PIB brasileiro registrou queda de 3,6% em 2016. O resultado foi inferior ao de países que notadamente enfrentam desafios na área econômica, como a Grécia (0,3%), ou passaram por guerras recentes, como a Ucrânia (2,0%) e a Rússia (-0,8%). 

A Rússia foi o único país a fazer companhia ao Brasil no território negativo em 2016, dentro do 

ranking da Austin, que utiliza informações preliminares sobre o fechamento do ano passado fornecidas pelos países listados. A Índia liderou o ranking com um crescimento de 6,9% no ano passado, enquanto a economia chinesa avançou 6,7%, no segundo lugar da lista. 

Segundo a agência de classificação de risco, a média de crescimento dos Países que formam os BRICs - Brasil, Rússia, Índia e China - foi de 2,3% em 2016. 

No quarto trimestre do ano passado, o desempenho do PIB brasileiro ficou também na lanterna do ranking, o pior resultado entre os 38 países que forneceram informações referentes à comparação com o quarto trimestre de 2015 (-2,5%).

Daniela Amorim, Fernanda Nunes, Mariana Sallowicz e Vinicius Neder, Agência Estado

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