22 de Março de 2026

A administração pública não é um laboratório para experiências tardias, muito menos um campo de futebol onde se pode jogar com o patrimônio alheio. O fechamento do ciclo de oito anos do ex-prefeito Marcelo Roque, com 100% de suas contas aprovadas e o topo do ranking de transparência no Paraná, não deve ser lido apenas como uma vitória pessoal. Foi, acima de tudo, uma vitória de Paranaguá. A cidade acostumou-se com a funcionalidade; o debate aqui não é sobre quem é "melhor" ou "pior", mas sobre quem funcionou.

Neste mês de março de 2026, ao completarmos 1 ano e 3 meses da gestão Adriano Ramos, a ansiedade que paira nos bastidores da política local é legítima. O envio da primeira Prestação de Contas Anual (PCA 2025) ao TCE-PR colocará à prova a capacidade técnica de um governo que escolheu caminhar sob a sombra de conselheiros com históricos, no mínimo, controversos.

O Preço das Escolhas

Causa estranheza ver o destino de nossa cidade influenciado por figuras que, em um passado recente, deixaram rastros de insolvência em instituições sagradas para o parnanguara. É preocupante que figuras deste quilate encontraram assento à mesa onde se decide o destino de todos os parnanguaras.

Ocupar um cargo de tamanha relevância exige mais do que proximidade política; exige currículo, idoneidade técnica e histórico de competência.

A gestão pública não é um mundo de "faz de conta" com posts bem produzidos para internet ou publicação de fotos que faz, com quem vê, sentir vergonha alheia.

Adriano Ramos poderá descobrir, talvez tarde demais, que o preço pago por certas alianças é caro demais para o erário e para sua própria biografia política.

Marcelo encerra seu ciclo habilitado para qualquer desafio que o universo político lhe apresentar. Já a atual gestão, cercada por quem já demonstrou não saber zelar nem pelo patrimônio de um clube de futebol, caminha para o seu primeiro grande exame técnico sob o olhar atento do Tribunal de Contas e a desconfiança da sociedade.

O julgamento técnico virá de Curitiba, mas o julgamento moral e político já está sendo feito nas ruas de Paranaguá.

A administração de um município é coisa séria. A catástrofe de uma gestão incompetente não levará a cidade a leilão. Essa possível herança maldita será entregue nas mãos do próximo gestor, que, diferente do atual, terá motivos de sobra para se queixar dos machucados e feridas abertas causadas pela ingerência na condução das coisas da nossa gente.

Aguardemos o veredito.

Seme Said é diretor do portal Nosso Paraná
https://www.facebook.com/semesaid

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