No Brasil a semana foi de novas e severas baixas.

Os preços da soja praticados na Bolsa de Chicago tiveram uma semana difícil, registraram um balanço negativo, porém, ainda resistem bravamente ao patamar dos US$ 10,00 por bushel. Na sessão desta sexta-feira (17), as cotações fecharam com pouco mais de 1 ponto de baixa, porém, no acumulado, perderam de 0,50% a 0,65%, com o maio/17 cotado a US$ 10,00 e o setembro/17 valendo US$ 10,01.

Como explicou o consultor de mercado Carlos Cogo, da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, a ainda intensa atividade de exportação dos Estados Unidos tem sido um dos principais pontos de suporte dos futuros da oleaginosa. Isso acontece em um momento em que as compras dos importadores já deveriam estar voltadas para a América do Sul, porém, a retração do produtor brasileiro, o atraso pontual do escoamento pelo Arco Norte e mais o preço mais alto do produto brasileiro são alguns dos fatores que motivam esse quadro. 

"O último relatório das vendas semanais do USDA mostrou isso", diz Cogo, referindo-se ao reporte da última quinta-feira (16), que trouxe, no acumulado da temporada um total já comprometido de mais de 53 milhões de toneladas, ou seja, 97% do total projetado a ser exportado pelos EUA. 

O consultor, no entanto, faz um alerta de novas baixas para as cotações em Chicago que poderiam ser registradas após um novo reporte a ser trazido pelo departamento agrícola norte-americano no próximo dia 31, sendo o primeiro oficial de intenção de plantio da safra 2017/18. Os números devem indicar um aumento da área de soja em detrimento do milho e "quando confirmada essa notícia, pode haver uma pressão baixista sobre os preços", diz Cogo. 

Novas baixas no Brasil

No Brasil, enquanto isso, a semana foi de novas e severas baixas. "Esse é o momento de preços mais baixos no ano", relata Carlos Cogo, e o produtor deve continuar acompanhando as variáveis de formação dos preços, mas vendendo somente "o necessário para fazer algumas compras antecipadas de insumos", diz. Até este momento há, aproximadamente, 45% da safra 2016/17 do Brasil já comercializada. 

Nesta última semana, os preços no interior perderam de 1,59% a até 4,33%, com as perdas mais intensas sendo sentidas na região Centro-Oeste, onde a colheita está mais avançada. Assim, dentre as praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas, a máxima dos valores da saca ficou em R$ 67,50 - em Castro, no Paraná - e a mínima, em R$ 54,00, como é o caso de Sorriso, em Mato Grosso. 

Nos portos, os indicativos também cederam de forma expressiva - mais de 3% - e em Paranaguá tanto a soja no disponível, quanto no mercado futuro, perderam o patamar dos R$ 70,00 para fechar a semana nos R$ 69,50. Em Rio Grande, respectivamente, R$ 70,40 e R$ 71,80 por saca. O peso do dólar mais baixo é inevitável. 

Na semana, a baixa acumulada da moeda americana ficou em 1,36% e o último valor foi de R$ 3,1008. "Com a agenda esvaziada e o recuo da moeda (dólar) no exterior, os fatores positivos foram se sobrepondo", afirmou o operador de câmbio da Ourominas Corretora, Mauricio Gaioti. "A trajetória de baixa tende a continuar, se o noticiário político não atrapalhar", acrescentou à agência de notícias Reuters.

Nessa toada, o produtor brasileiro que segue retraído em suas vendas, neste momento, poderá ver algumas melhores oportunidades via redução dos custos logísticos ou no aumento dos prêmios, e não de uma movimentação cambial ou em Chicago, ainda como explica Carlos Cogo. 

O consultor, porém, afirma que há mercado para toda essa soja. "O Brasil deve bater na linha das 60 milhões de toneladas de exportação. No momento em que os estoques americanos forem se esgotando, o mundo tem que se abastecer na América do Sul, primeiro no Brasil, depois Argentina e Paraguai. E a demanda ainda é muito forte e continua sendo o fiel da balança", completa.

MERCADO DECHICAGO APOSTA NA BAIXA

Em Chicago, segundo a AGResources, o relatório de fundos atualizados trouxe uma enorme redução das posições compradas na soja. A redução de 29 mil contratos representa bem o movimento dos preços da oleaginosa nesta última semana, que tiveram 8 sessões consecutivas em queda (entre 6 - 15 março). A ARC Brasil acredita que a especulação agora pode estar apostando em um mercado baixista, revertendo posições e lucrando com as retrações do mercado.

CLIMA SEGUE DENTRO DO PADRÃO

Os modelos climáticos continuam confirmando o padrão meteorológico previsto para a América do Sul, nesta segunda quinzena de março. Uma boa mistura de sol e chuvas é projetada para quase todo o Brasil, enquanto que um menor nível pluviométrico é oferecido para a Argentina.

No geral, o cenário climático favorece o progresso da safra para ambos os países. |

Neste fim de semana, chuvas generalizadas são esperadas para a maioria do Brasil. A região Central brasileira se favorece de um micropadrão com precipitações acima da média para estes próximos 2 dias.

Os modelos também preveem umidade para quase todo o MATOPIBA, com totais mais significantes se concentrando no Tocantins.

O Rio Grande do Sul segue seco, dando espaço para o avanço das colhedeiras no campo.

Nenhum sinal de stress vegetal é observado para o fim de semana. (agRESOURCES).

Por: Carla Mendes / Fonte: Notícias Agrícolas

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