Maia disse que neste momento é o "árbitro do jogo"
Foto/Adriano Machado

(Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em entrevista à Globonews exibida na noite de segunda-feira que se considera uma alternativa à Presidência da República daqui a duas ou três eleições, mas negou que tenha pretensão de assumir o cargo no curto prazo.

Sucessor imediato ao comando do país em caso de afastamento do presidente Michel Temer, que é alvo de denúncia por crime de corrupção em tramitação na Câmara, Maia disse que neste momento é o "árbitro do jogo" e que não vislumbra ir além de onde está, mas reconheceu que no longo prazo pode buscar uma candidatura presidencial.

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"O político, quando entra na política, ele sempre sonha no máximo. Isso aí, seria besteira não admitir, mas, nesse momento, não", disse o presidente da Câmara na entrevista ao jornalista Roberto D'ávila.

"A longo prazo, é obvio que chegar onde cheguei já me coloca, daqui a duas, três eleições como uma alternativa (à Presidência), mas, a curto prazo, acho que a presidência da Câmara já me dá a possibilidade de realizações que eu nunca imaginei que eu pudesse realizar", acrescentou.

Maia ainda reiterou na entrevista a lealdade a Temer como deputado do DEM, partido que é da base de apoio ao governo, mas disse que como presidente da Câmara precisa se distanciar do Planalto neste momento e se guiar pela Constituição.

"Uma coisa é o presidente da Câmara, outra coisa é o deputado eleito pelo DEM que apoia o governo do presidente Michel Temer. Esse deputado será leal sempre. Agora, o presidente da Câmara vai ser o presidente da instituição e árbitro do jogo", afirmou.

Denunciado pela Procuradoria-Geral da República pelo crime de corrupção passiva, Temer será afastado da Presidência caso 342 deputados votem por autorizar o Supremo Tribunal Federal (STF) a julgar a acusação e se o STF decidir tornar Temer réu.

A votação da denúncia contra o presidente no plenário da Câmara dos Deputados será realizada no dia 2 de agosto.

Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro /Reuters

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