Com geada e tempo seco, mais de 1.300 focos foram registrados em julho, contra 380 no mês anterior

De acordo com o Inpe, 99% dos incêndios ambientais são causados pela ação humana

De acordo com o Inpe, 99% dos incêndios ambientais são causados pela ação humana Gustavo Caneiro

Os meses de julho e agosto são considerados os mais críticos para a ocorrência de incêndios ambientais no Paraná. Entre 1º de janeiro e 23 de julho deste ano, 3.823 atendimentos foram realizados pelas equipes do Corpo de Bombeiros no Estado. Do total de ocorrências, 1.312 foram registradas apenas neste mês. O número é preocupante, segundo a responsável pela comunicação social do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, tenente Luana Pereira. Em junho foram apenas 380 ocorrências de incêndio ambiental no Estado. 


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"O Corpo de Bombeiros alerta que estamos no período em que o índice de incêndio ambiental tende a aumentar por causa do inverno e reforçamos as orientações para que as pessoas não provoquem queimadas em terrenos baldios ou em residências", afirmou. Segundo ela, grande parte dos focos é constatada próximo a rodovias, em terrenos baldios e nos quintais das casas quando há a queima de lixo ou de materiais em desuso. 

"Se essas condições se mantiverem com o período de estiagem, o número de queimadas pode aumentar. É preciso buscar fazer o manejo correto do solo nas plantações, descartar os materiais em ambientes adequados e ter a consciência que a queima ambiental traz muitos prejuízos e pode se tornar um grande risco para a sociedade", alertou. 

No Brasil, 30.271 incêndios ambientais já foram registrados desde janeiro pelo Programa de Monitoramento de Queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Pouco mais de 12.500 focos foram verificados em julho. O coordenador do programa, Alberto Setzer, destacou que grande parte das ocorrências deve ser registrada só nos próximos meses. 

"Os números assustam muito. Estamos destruindo nosso patrimônio nacional, já que muitas dessas ocorrências atingem áreas de preservação natural", ressaltou. O instituto monitora as ocorrências por satélite desde 1986. Para o pesquisador, 99% dos focos são causados pela ação humana. "Geralmente, é um descuido ou uma ação proposital. Queimadas são a primeira causa de apagões no País. Temos campanhas muito bem feitas em todos os Estados. Temos uma legislação excelente. O que está faltando é a implementação da política pública, a fiscalização e a punição, mas, principalmente, as pessoas precisam mudar os hábitos. E isso não é só no Brasil. Acontece em outros países também. É um comportamento não muito simples de se reverter", concluiu.

Viviani Costa/FL

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