Boletim de ocorrência relata episódio na Igreja São Benedito; caso reacende histórico do vereador com a Operação Flashback e uma derrota judicial contra a TVCI
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Há quem diga que a reputação é como vidro: leva anos para ser lapidada e um segundo para se estilhaçar. Foi em torno desse vidro que girou, nesta segunda-feira, um novo episódio na trajetória pública do vereador Renan de Andrade Britto Barboza, presidente da Comissão de Assuntos Portuários e Turismo da Câmara de Paranaguá.

O boletim de ocorrência

Segundo B.O. registrado na 1ª Subdivisão Policial de Paranaguá (nº 2026/1221849), um homem, cuja identidade a reportagem optou por preservar, relatou que, durante um velório na Capela São Benedito, foi chamado pelo vereador para uma conversa reservada, na qual teria sido advertido a parar de criticá-lo na internet, sob risco de morte, segundo o relato. Diante da resposta de que poderia cobrá-lo pelas vias cabíveis, Renan teria reagido com aspereza, inclinando o corpo em direção ao interlocutor. Ao saber que um boletim seria registrado, o vereador teria se colocado à disposição para acompanhá-lo até a delegacia. O fato foi enquadrado como ameaça.

A versão do vereador

Procurado, Renan Britto negou as acusações e contestou a interpretação dada pelo noticiante ao episódio. O caso segue em fase de registro policial, sem decisão judicial, trata-se do relato de uma das partes, ainda sem contraditório formal.

Não é a primeira vez

O episódio reacende um capítulo já conhecido: em 2017, Renan foi um dos alvos da Operação Flashback, da Polícia Federal, e figurou entre os presos na investigação sobre tráfico internacional de drogas. Foi posteriormente absolvido, e chegou a processar a TVCI e o apresentador Tony Lagos por danos morais, alegando ter sido chamado de "traficante" quando era apenas suspeito. A Justiça negou o pedido, entendendo que a reportagem teve cunho informativo e interesse social.

O nome do vereador também esteve envolvido em outra disputa recente: alvo de ação na Justiça Eleitoral por suspeita de compra de votos nas eleições de 2024 — período em que a Polícia Federal chegou a cumprir mandados de busca e apreensão em seu gabinete, dentro da operação "Voto Não Tem Preço" —, Renan teve o mandato cassado em primeira instância, pela 5ª Zona Eleitoral de Paranaguá, por captação ilícita de sufrágio. A decisão foi revertida pelo TRE-PR em segundo grau, por 4 votos a 3.

Em processo criminal separado, no entanto, o TRE-PR manteve, também por 4 a 3, a condenação de Renan por corrupção eleitoral — sob acusação de que dois eleitores teriam recebido R$ 50 cada para votar nele —, ainda que o tenha absolvido anteriormente em ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) baseada nos mesmos fatos. A pena, fixada em primeira instância, é de um ano e nove meses de reclusão em regime aberto, mais oito dias-multa, e ainda não transitou em julgado, o que permite a Renan seguir no mandato e recorrer.

O tempo

Acusações sob os holofotes e uma disputa pela narrativa travada tanto nas redes quanto nos tribunais. Cabe agora ao tempo, sempre o mais imparcial dos juízes, dizer qual versão prevalece.