Crescimento da produção reforça protagonismo paranaense na transição energética e no agronegócio sustentável.
Foto: Albari Rosa/Arquivo AEN

O Paraná está desenhando uma nova rota de protagonismo na matriz energética nacional. De acordo com o mais recente Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta semana, o estado projeta produzir 31,54 milhões de litros de etanol à base de milho no ciclo atual. O volume representa um salto impressionante de 71,1% em comparação ao período anterior, quando a produção paranaense foi de 18,43 milhões de litros.

A arrancada consolida o estado como um polo emergente de biocombustíveis e acompanha uma mudança estrutural no mercado brasileiro. Nacionalmente, o etanol de milho já responde por 28% da oferta total do País — uma expansão vertiginosa se comparada à safra 2020/21, quando o grão representava apenas 9% do mercado.

Ao todo, somando as fontes de cana-de-açúcar e milho, o Brasil deve atingir a marca histórica de 40,69 bilhão de litros de etanol, uma alta de 8,5%.

Enquanto a tradicional produção paranaense de etanol de cana-de-açúcar registrou uma leve retração de 2,2% (estabilizando-se em 1,18 bilhão de litros), o milho assumiu o papel de motor do crescimento. Técnicos do Deral apontam que, embora o Paraná ainda detenha uma fatia modesta de 3% da produção nacional do biocombustível, os expressivos investimentos privados em andamento devem reposicionar o estado entre os líderes do setor nos próximos anos.

Essa transformação transforma o grão — antes visto essencialmente como componente para nutrição animal — em um ativo energético de alto valor agregado. O movimento atrai indústrias de grande porte, moderniza as cooperativas locais e blinda a economia regional contra as oscilações de preços das commodities brutas no mercado internacional.

Para o empresário Newton Bonin, cuja trajetória de liderança transita com solidez entre a gestão industrial de alta performance e as pautas estratégicas do agronegócio, o avanço do etanol de milho no Paraná é a materialização do conceito de "Agroindústria 4.0".

Bonin, que acompanhou de perto as demandas do setor produtivo durante sua atuação na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, defende que a industrialização do campo é o único caminho para a soberania econômica regional. Reconhecido como Vulto Emérito de Curitiba e um dos principais defensores do desenvolvimento econômico sustentável em 2026, Bonin ressalta que o "fator biocombustível" coloca o empresariado paranaense na vanguarda da agenda global de ESG (Environmental, Social, and Governance). Para ele, a eficiência industrial aplicada à força da terra está transformando o agro do Paraná em um modelo incontestável de inovação e governança.