Entrevista

Descomplicado. Assim é o filho de José Vicente Elias e Celeni Venete Elias, nascido em 11 de Setembro de 1968.

Brasileiro, casado com Cristiane em 14 de Janeiro de 1993. Pai de Matheus, Ryssia, Alyssa e Jéssica.

Advogado, formado pela Faculdade de Direito de Curitiba em 1993, atua nas áreas trabalhista, cível e família. Exerceu o cargo de Delegado da Caixa de Assistência dos Advogados do Paraná e foi eleito para o terceiro mandato de Conselheiro da OAB/Pr na subseção do Litoral do Paraná.

Professor Universitário das matérias de Ética Profissional, Legislação Social e Direito Autoral para os cursos de Administração e Direito, tendo exercido até dezembro/2012 o cargo de coordenador do Núcleo de Prática Jurídica do Curso de Direito do Instituto Superior do Litoral do Paraná – ISULPAR. 

Já exerceu os cargos públicos de assessor parlamentar, Secretário Municipal de Segurança, Controlador Geral, Presidente da Fundação Municipal de Esportes, Vice-Prefeito e Prefeito em Exercício de Paranaguá. Em 2006 e 2010 foi o candidato a deputado federal mais votado na região de Paranaguá, cidade-pólo do litoral do Paraná. 

Foi escolhido como representante do Município de Paranaguá para os assuntos referentes à COPA do Mundo da FIFA no Brasil em 2014, membro do Comitê Executivo Estadual da COPA Fifa 2014 e idealizador do FOCRESUL – Fórum de Crescimento Sustentável do Litoral do Paraná, bem como do grupo de trabalho para a instalação do SAMU e Aquário Marinho e coordenador dos trabalhos do Terminal Marítimo de Passageiros e Olimpíadas RIO2016. 

Foi eleito Presidente do Rio Branco Sport Club, tradicional agremiação desportiva de futebol.

Entusiasta como seus ideais, Fabiano Vicente Venete Elias aceitou falar com a nossa equipe.

Nosso Paraná – O mundo ontem ou hoje? Colocar carta na caixa do correio, revelar filme de fotografias, bate papo na rua. Você seria mais feliz tendo as tecnologias da atual geração na sua infância e juventude ou sente-se um privilegiado por viver situações que hoje em dia não vemos mais? Como foi a infância de Fabiano Elias? 

Fabiano Elias – O mundo hoje com a experiência de ontem, ou seja, exatamente como é o nosso agora. Sou feliz com o que tenho, com as amizades que construí e com os projetos de vida que alcancei. Não preciso ser mais feliz do que isso e sinto-me realmente privilegiado em ter vivido nesses dois mundos, de ter participado da virada do século! Minha infância foi muito tranquila, sou o primogênito de três irmãos e cresci em um ambiente muito agradável, com muitos amigos e muita gente bacana. Depois, um pouco mais garoto, por conta da vida pública e dos mandatos que meu pai exerceu, nossa liberdade foi mais restrita e tive menos espaço do que eu gostaria. No final das contas percebi que o que tive foi suficiente para moldar o meu caráter e construir minha personalidade. 

Nosso Paraná– Você deu muito trabalho para Dona Celeni ?


Fabiano Elias– Não, sempre fui tranquilo. Tenho certeza que fui o que menos incomodou em casa. Por conta disso também saí cedo, fui morar sozinho antes da Faculdade. Tinha responsabilidade e maturidade suficiente para isso. Desde cedo já tratei de tentar ganhar meu sustento, mesmo que meu pai fosse prefeito de Paranaguá. Então acho que Dona Celenita – gosto de chamá-la assim – não teve muito trabalho comigo. Namorar bastante, trepar em muro, subir em árvore, cortar dedo na faca, bater a cabeça, essas coisa não valem, né? Todo mundo faz.

Nosso Paraná – Como torcedor do Rio Branco, um dia passou pela sua cabeça que seria presidente do clube? Como foi sua experiência nesta função e porque efetivamente deixou o cargo? 

Fabiano Elias – Sempre quis ajudar o clube e sempre quis ser Presidente do Rio Branco. Nunca tive muitas oportunidades, porque o sobrenome e o peso da política sempre chegavam junto e isso normalmente causava constrangimento e problemas. Quando Nivaldo Domanski foi Presidente eu tive essa oportunidade e a partir daí um grupo de pessoas me procurou e pediu que eu lançasse o meu nome à Presidência. Nivaldo tinha sido abandonado pela diretoria e antecipou a eleição porque não conseguia mais tocar o clube sozinho. Aceitei e ganhei a eleição em 2012. Apesar de eu ter me afastado da política, as pessoas acreditavam que eu usaria o clube como trampolim para a eleição de 2014. Durante os preparativos para o Campeonato de 2014 começaram os movimentos de bastidores para destruir o que tínhamos construído. Tínhamos um excelente parceiro esportivo, jogadores da base emprestados para clube da 1ª divisão do Paulistão, Estradinha com certificado de vistoria e liberação dos Bombeiros, financeiramente estável e um excelente projeto para aquele ano. Fomos boicotados pela Prefeitura, pelo Porto e pela Câmara dos Vereadores. Então tomei uma atitude que meus adversários não esperavam: saí do clube. Se eles diziam que o problema era a minha permanência á frente do projeto, saí e deixei todos à vontade. Bem, hoje é possível ver o que aconteceu: eles quebraram a cara e o clube.

Nosso Paraná – Quando Vicente Elias faleceu a família sofreu um duro golpe mas toda Paranaguá perdeu naquele dia um dos seus mais ilustres e importantes líderes da sua história. Quais são os momentos e situações no seu dia-a-dia que a imagem do seu pai vem em sua lembrança? Como lida com isso?


Fabiano Elias – 
Ele está comigo todos os dias. Planejei minha vida baseado nos seus ensinamentos. Então tudo que eu faço é em sua homenagem. Acredito que todos os filhos devem agir dessa forma, pois quando buscam serem pessoas dignas, honestas e verdadeiras isso é uma homenagem aos pais. Nunca deixei Paranaguá. Sou o único dos filhos que sempre planejou ficar aqui a vida toda. Eu tive um outro golpe ainda mais duro na vida, que foi a morte do meu filho Matheus, recém-nascido, em 1996. Ali todos nós morremos um pouco e senti que desde então papai fazia tudo para cobrir essa lacuna de dor que tomou conta de toda a família. Ele não precisava, mas tentou ser prefeito outras duas vezes na cidade e lembro como se fosse hoje, depois do resultado da eleição de 1996 que ele perdeu por uma miséria de votos, que ele foi para a sala da minha casa, na mesa do jantar e lá, sozinho baixou a cabeça e disse que não entendia qual era o significado daquele resultado, pois tudo que ele mais queria era continuar ajudando a cidade e que, infelizmente, havia um mal maior, uma força financeira gananciosa e perversa que faria a cidade sofrer por muito tempo. Hoje, 30 anos depois, todos percebemos que ele estava certo. Essa tenacidade dele, a perseverança e esse amor por Paranaguá que ele tinha, são o combustível da minha alma e que me fazem acordar sempre confiante todos os dias. 


Nosso Paraná – Se um dos seus 4 filhos optarem por uma carreira política. Além de ser um enorme desafio e algumas vezes frustrante, você já percebe neles características para este fim? Apoiá-los ou fazê-los mudar de ideia? 


Fabiano Elias –
 Papai não queria que nenhum de seus filhos fosse político. Ele dizia que tinha sofrido as maiores traições, passado os maiores perigos e enfrentado as maiores decepções de sua vida por conta da política. Ele queria nos proteger desse tipo de situação. Eu não concordei com ele. Em 1996 papai foi candidato a prefeito e eu fui candidato a vereador. Tive seu apoio nessa decisão. Mas fui vítima de um ataque covarde dos nossos aliados de chapa, porque diziam que eu já estava eleito e que ninguém precisava votar em mim. Além disso, os candidatos de outras chapas de prefeito usavam de nossa ligação pai/filho para me atacar e atacar meu pai em campanha. Como percebi que estava atrapalhando sua eleição de prefeito, disse a ele que iria desistir. Foi nessa hora que ele me deu mais uma lição: “nunca desista pelo outros e nunca desista por você. Não tenha medo do resultado, pois na vitória a gente comemora e na derrota e gente aprende”. Então, se eu tiver alguém de casa que queira participar da política, terá todo o meu apoio, assim como eu recebi o apoio dele quando entrei nesse jogo.



Nosso Paraná – Como foi sua experiência como vice-prefeito de Paranaguá e Prefeito em algumas ocasiões extraordinárias? 


Fabiano Elias – 
Quando me elegi Vice-Prefeito decidi que não faria um mandato de fachada. Contratei profissionais e saí do meu escritório de advocacia e me dediquei ao cargo. Dava expediente diário na Prefeitura. Nenhum outro vice agiu assim. Atendi milhares de pessoas e encaminhamos milhares de soluções para os problemas das pessoas que nos eram apresentados diariamente. Tinha uma equipe maravilhosa que sabia fazer a coisa acontecer. Além disso assumi a coordenação de grandes projetos, como a participação da cidade da COPA FIFA 2014, que foi abandonada pela gestão que assumiu depois de nós, da mesma forma com a questão das Olimpíadas RIO 2016, fui o coordenador do projeto do Terminal Marítimo de Passageiros, fui o idealizador do Fórum de Crescimento Sustentável do Litoral do Paraná – FOCRESUL, projeto também abandonado. Politicamente fui o elo de ligação entre o município e o governo do estado quando as coisas ficaram insustentáveis entre o Baka e o Beto Richa. E a cada ano diminuímos as despesas diretas e o orçamento do nosso gabinete, demonstrando que com controle e parcimônia é possível fazer e economizar.

Como Prefeito em exercício foram poucos dias, mas marcantes pelo fato de que me tornei o primeiro filho de ex-Prefeito eleito a assumir a cadeira de prefeito em Paranaguá. A ação de um Prefeito em exercício é limitada àquilo que o titular permite você fazer ou não, porque nenhum secretário municipal atenderá o Prefeito em exercício em ações contrárias à vontade do titular. Em uma das vezes que assumi o cargo de Prefeito em exercício fecharam o gabinete do prefeito e não me deram a chave. Tive que atender as audiências marcadas com a população na mesa da secretária na sala de recepção. Por aí é possível imaginar como são as coisas. Mas enviei alguns projetos à Câmara, que nunca foram votados até hoje, atendi ao desastre de março de 2011, além de ter tomado algumas medidas administrativas importantes para o bom funcionamento da Prefeitura e economia de gastos públicos. Foram pouco dias, infelizmente. 


Nosso Paraná – O Baka foi um bom prefeito?


Fabiano Elias – 
Apesar dos avanços na área de educação e saúde, comparando a gestões anteriores de Nelson Barbosa, Vicente Elias e Valdir Salmon, as duas gestões do Baka foram muito próximas em qualidade com as duas do Roque. Olhando os quatro mandatos dos dois a gente consegue visualizar que realmente vieram do mesmo nascedouro. Não há obras importantes para a infraestrutura do município, não há avanços na geração de empregos e não há melhoria na qualidade de vida e no IDH da população. As ações tomadas foram meras ações de continuidade administrativa ou de perfumaria urbana, como alargamento de ruas, reforma ou reconstrução de próprios públicos, mas nada que efetivamente fizesse diferença e fosse essencial para a vida das pessoas. Considerando inclusive os investimentos em educação e a escola em tempo integral, os investimentos em saúde, o número de postos de saúde, o funcionamento do João Paulo II e o fechamento da Santa Casa de Misericórdia, o cólera e a limpeza da cidade em cada época, acho que as duas gestões do Baka foram superiores às duas do Roque, mas não as considero boas. Tinham muito espaço para terem sido melhores.


Nosso Paraná – Você afirma em seu perfil no Facebook que os maiores focos do mosquito da dengue são de responsabilidade do poder público: Prefeitura, Porto, Governo do Estado e União Federal. O Prefeito Kersten está lidando acertadamente com esta epidemia? 


Fabiano Elias – 
Não. Quando eram apenas poucos casos na metade de 2015 seria possível realizar um trabalho de consolidação dos focos e da transmissão, mas não fizeram isso. Poderiam ter preparado a estrutura pública para a epidemia, pois todos os registros apontavam para um crescimento gigantesco no número de casos. Não criou um gabinete da crise, exclusivo para tratar do problema, que foi agravado pela redução do número de postos 24 horas na cidade, fechamento de outros postos de saúde , fechamento do CME e desativação de serviços de atendimento básico no João Paulo II. Além disso, demorou muito para promover o teste seletivo e permitiu que fechassem o GAPER – cuja estrutura hoje utiliza para atender a epidemia – e escondeu o número real de casos da epidemia da população. Não cumpriu sequer o pedido que fez às pessoas para que colocassem os entulhos nas ruas, prometendo que eles seriam recolhidos pela Prefeitura. A poucos dias do começo das aulas determinou a limpeza e manutenção das escolas e creches. Poderia ter feito antes. O Gigante do Itiberê e o terreno da Prefeitura atrás do Ginásio do Aterro demoraram a receber manutenção e a Ponta do Cajú tem um número absurdo de doentes. As áreas portuárias estão um lixo, são milhares de focos de mosquito, bem como a Av. Gabriel de Lara, obras inacabadas e a BR 277, a Avenida Ayrton Senna, que tem um valetão a céu aberto que é a verdadeira maternidade para esses insetos. É o Aquário Marinho do Aedes. Isso não é de agora, mas começaram a tentar enfrentar esses problemas nos últimos 30 dias, quando o número de casos já ultrapassava milhares. Precisa informar e prover as pessoas de produtos para prevenção. Isso não foi feito. Nem capacitação do pessoal da saúde aconteceu corretamente. Em janeiro estavam promovendo palestras com médicos e servidores da saúde. Já tínhamos uma epidemia alastrada. Foi falho, muito falho.


Nosso Paraná - Qual a sua avaliação da atual administração municipal? Executivo e legislativo. 


Fabiano Elias – 
Nunca senti a cidade tão órfã do poder público e também nunca tinha visto o poder público municipal tão incapaz de planejar e gerenciar. 


Nosso Paraná – Governo Beto Richa. 


Fabiano Elias – 
Governo de negócios, de conchavos, de mentiras e promessas não cumpridas. 


Nosso Paraná – É ano de eleição. Fabiano Elias vai ser candidato?


Fabiano Elias – 
Em 2010 eu decidi parar. Esse pensamento veio depois que o governador rompeu com todos os compromissos pessoais que tinha comigo e com a cidade. Inclusive escutei o governador dizer que não liberaria o Aquário Marinho porque era o Baka o prefeito – o que efetivamente se concretizou. Essa decisão veio também quando percebi que havia sido descartado em 2010, depois de conseguir ótimos resultados em uma eleição de deputado federal onde enfrentei a campanha sozinho e ainda contra todas as forças políticas que estavam ativas aqui, como Porto, Prefeitura, governo do estado e governo federal. Eu era Presidente do partido e candidato, mesmo vencendo as eleições em todos os níveis, de Presidente, Senador, governador a deputados, percebi que eu não fazia parte do grupo. Se na vitória, ampla e irrestrita você não recebe a devida valorização, era melhor sair e pensar no que estava acontecendo. Decidi não participar das eleições seguintes. Por isso não concorri em 2012 e nem em 2014. Tirei um período sabático. Fui renovar as forças e fortalecer o espírito. Vou participar da eleição de 2016.



Nosso Paraná – Queremos agradecer sua participação e deixamos o espaço para suas considerações. 


Fabiano Elias – 
Parabenizo primeiramente pelo espaço que vocês estão conquistando e pela força de promover o desafio diário da notícia, com a coragem da imparcialidade. Obrigado pelo convite e quero desejar a todos nós um 2016 repleto de realizações, com muita paz, muita saúde e muita força, para que possamos mudar o que precisa ter seu rumo alterado. Deus nos proteja.


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