Depois de mais de dois anos esperando um veredito do tribunal mais rápido do País, o TSE, assistimos atônitos um verdadeiro show de horrores, onde mesmo um néscio pode perceber manobras paquidérmicas feitas pelos ministros, para acomodar a tese de que a venda nos olhos da estátua posta na frente do Judiciário na explanada dos ministérios serve para excluir provas cabais, já antes aceitas por colegas, e fingir que elas não existem.

Para explicar o fato vou fazer uma parábola hipotética aqui:

Imagine que um homem roubou um bagre de um pescador, e saiu correndo, ao passar pela praça ele esfaqueia uma senhora idosa e mata seu neto de cinco anos com a mesma faca.

Logo após ele é alcançado por um policial que lhe prende, e ao chegar na delegacia ele é acusado pelo pescador que diz: Ele roubou o meu bagre, quero justiça.

Mais de dois anos depois no tribunal o Juiz diz: Um bagre não é motivo para prender este homem, alguém na plateia diz: Mas meritíssimo ele matou uma senhora e seu neto. O Juiz responde: essas acusações não estão anotadas em meu papel que está em cima de minha mesa soltem o assassino.

Tecnicamente e digo ao ler diversas versões de juristas renomados que apoiam este pensamento, a tese do Ministro Gilmar Mendes de ignorar provas para manter a estabilidade política não se sustenta, pois ao ignorar fatos uma vez já aceitos pelo próprio tribunal, e ignorar a vontade do povo atacando o MP que por sua vez representa o povo, ele volupiou a soberania popular.

A Ministra Rosa Weber em um ton lúcido disse que não era necessário as provas da Odebrecht para que ela proferisse a condenação. Mas o Ministro Napoleão e Companhia preferiram focar Poncio Pilatos e sua história, dando a entender que ela era um excelente magistrado como o era o Ministro Gilmar. Já imaginou isso? Que comparação perfeita!

Acho que ele esqueceu que Pilatos era dado a lavar as mãos, ou seja, a ignorar as provas e deixar matar inocentes, há sim, foi isso que fizeram ontem, deixaram matar o povo, só faltou a bacia com água.

Houve de tudo na seção, o regimento, o protocolo, a moral, a ética, tudo foi esquecida, o Ministro Gilmar esqueceu até de respeitar o Sub procurador que o recolocou no lugar imediatamente.

A coisa foi tão grotesca que em dado momento o Ministro Napoleão resolveu usar a palavra que deveria ser para proferir o voto, para desabafar contra a imprensa em seus entreveros pessoais, que não interessam em nada a todos nós, se ele tem problemas com a imprensa que contrate um advogado, mas não use da toga para desabafar gastando um tempo precioso, devo aqui lembrar do pensamento grego: A toga não tem nome.

Queremos um Juiz, não uma identidade.

Imaginem aqui os senhores, que você pudesse chegar diante de um Juiz e dizer a ele que queria ver alguém com o pescoço cortado? Foi esse o gesto que ele fez. Qualquer simples mortal como nós sairíamos algemados, mas como ele é o ministro, ele recebeu uma pausa de cinco minutos, se é isto que estão ensinando nas faculdades de direito, o nome do curso deveria mudar para esquerdo.

O Ministro Admar que também votou pela absolvição era um ex-advogado da chapa Dilma e Temer, pense por um instante, ele deveria em respeito ao povo se declarar impedido, mas votou segundo os interesses dos seus mais recentes clientes. Não há honra nisso, mas legalmente, na Letra fria da lei ele o pode fazer. Mas na hora de julgar a Chapa, a Letra fria é ignorada e passa se a julgar segundo o cenário político.

Mas o que deveríamos esperar de Ministros que foram indicados pelos mesmos políticos que estão julgando? Que sistema falido.

O placar foi de 4 a 3 em favor da chapa Dilma/Temer, a tese do Ministro Gilmar venceu dizendo que foi pela estabilidade politica, mas minha pergunta é: Estabilidade política de quem? A estabilidade não tem a ver com índices da economia, ainda que não ignoramos isso, mas tem a ver com Honra, e Honra não se compra nem se negocia. Nossos filhos e netos lerão seus votos nas escolas, na internet, e verão o absurdo de ontem. Palmas ao Ministro Herman relator da ação, mas infelizmente ele não conseguiu impedir o falecimento do TSE, estamos de luto.



Emerson Casburgo - Membro do Conselho Editorial do Nosso Paraná, Teólogo e Pastor
https://twitter.com/emersoncasburgo 


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