05/06/2018

Terminada a paralisação dos caminhoneiros com a demissão do pivô da crise, já ex-presidente da Petrobras, Pedro Pullen Parente, listamos alguns tópicos desta interminável novela: A desoneração do preço do diesel atende parte dos caminhoneiros tanto de empresas como autônomos, mas a retirada de tributos vai resultar alguma compensação. Diminuir PIS/COFINS e CIDE irritou a associação de municípios, os quais arcarão diretamente com maior parte deste ônus, e levou senadores e deputados até da base a pedirem a cabeça de Pedro Parente pelo suicídio eleitoral em apoiar aumento de impostos. O empresariado também vai sentir o peso desta medida com a reoneração da folha de pagamento, e, possivelmente, com nova recessão.

 Vimos quase tudo nesta greve: Revolta espontânea, boataria, egoísmo, ira, manipulação e oportunismo. Vimos aberrações como faixas pedindo a volta do regime militar, sem considerar que nele, não haveria o direito de protestar. Empresários incentivando seus motoristas a não pegarem a estrada (destaque para um proprietário de 600 caminhões que apoia explicitamente Bolsonaro, em tese maior incentivador da sandice “Intervenção Militar”, que levou o Rio de Janeiro ao fundo ainda mais fundo do poço). O governo se perdeu, recuou no emprego da força, falou em decreto de Garantia da Lei e da Ordem, e conseguiu a proeza de diminuir ainda mais sua paupérrima popularidade. Vimos o egoísmo da população comprando tudo o que podia nos supermercados mesmo sem precisar de imediato, estocando sem se preocupar com o desabastecimento ou mesmo se crianças ou idosos poderiam ficar sem alimentos ou outros itens básicos. Vimos o oportunismo estampado na extorsão da população em R$ 7,00 no litro da gasolina e R$ 90,00 no botijão de gás de cozinha. Mas vimos também exemplos de caráter e hombridade, como no caso do empresário Sidney Mahle, que além de manter exatamente o mesmo preço de antes da greve no combustível, ainda teve o cuidado de limitar o abastecimento por cliente, tentando atender a maior parte possível da população. Que Deus abençoe os rumos do nosso país e tenha piedade da nossa gente.



Paulinho Oliveira é cientista político, administrador de empresas, bacharelando em Direito, empresário, secretário municipal de saúde e prevenção da prefeitura de Paranaguá,e presidente estadual da juventude do PODEMOS no Paraná.

A publicação deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião do portal Nosso Paraná.




Deixe o seu comentário